*Artigo de Vânia Gomes – travesti, licenciada em filosofia e pedagogia, engenheira de computação, mestra em filosofia e doutora em educação/Unicamp. Atualmente é professora do Instituto Federal de São Paulo, campus Salto e sindicalizada ao Sinasefe-SP.
A visibilidade de pessoas transgênero é o processo social pelo qual essas pessoas expressam o gênero que compreendem como o mais adequado para si mesmas. Assim, há uma distinção entre ser uma pessoa transgênero e conseguir dar visibilidade a essa condição.
O primeiro passo da visibilidade é poder ser, para, em seguida, poder expressar socialmente quem se é. Embora haja violência contra pessoas transgênero, ao afirmar que elas não existem, a nossa presença na sociedade é suficiente para suplantar essa afirmação. Também é frequente que a sociedade seja leniente com mortes violentas de pessoas transgênero, ou mesmo, com o estímulo ao seu suicídio. Se existe ódio contra tantos grupos oprimidos numa sociedade violenta, as pessoas transgênero não seriam exceção. Em razão disso, muitas pessoas transgênero temem por suas vidas e evitam dar visibilidade à sua condição. Grande parte do trabalho educativo tem sido eficaz em construir uma sociedade tolerante e acolhedora às questões de gênero, superando essas formas explícitas de violência, com benefícios para todos.
A visibilidade não é um valor simbólico para a pessoa transgênero. É uma necessidade para sua saúde e qualidade de vida: poder interagir socialmente sem máscaras, sem hipocrisias, apresentando-se claramente à sociedade tal como é, com honestidade e integridade.
Longe de ser uma escolha, é uma condição, e o processo psicológico de reconhecê-la já é conflituoso; assim, o alívio proporcionado por não ter que atender a uma carga de normas sociais e julgamentos morais injustos é significativo. Muitas pessoas transgênero, ao dar visibilidade à sua condição, descobrem que muitas daquelas com quem interagem as acolhem, apoiam e compreendem, mesmo não tendo as mesmas vivências. A visibilidade se torna um divisor de águas que evidencia quais pessoas são realmente significativas e amigas.
O dia da visibilidade no Brasil, 29 de janeiro, foi estabelecido em 2004, quando se implantou a campanha “Travesti e Respeito: já está na hora dos dois serem vistos juntos”. Atualmente, o grupo das pessoas transgênero é mais amplo que das travestis de então, mas o lema segue válido: a visibilidade não é uma imposição, e sim uma proposta de relacionamento social aberto, sincero e baseado em respeito. Qualquer pessoa que compreenda o valor de ser humano pode e deve pautar suas relações por esses princípios. As pessoas transgênero agradecem e retribuem.
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