O Sinasefe-SP acende um alerta sobre o modelo de seleção adotado em 2026 para o PartiuIF, cursinho preparatório voltado a estudantes do 9º ano da rede pública que busca ampliar o acesso ao Instituto Federal. Embora reconheça a importância do programa, o Sindicato aponta que o formato atual de sorteio pode acabar prejudicando justamente os alunos em maior situação de vulnerabilidade. Essa crítica tem sido apontada pelos próprios coordenadores do projeto ouvidos pelo Sindicato.

Pelo edital, ao realizar o sorteio para as vagas, os candidatos são separados em dois grupos: um com comprovação de renda (baixa renda) e outro sem essa comprovação. As vagas também são divididas entre esses grupos, e o sorteio acontece dentro de cada lista.

Para explicar o problema, pode-se utilizar uma metáfora: é como se, em um supermercado, existissem duas filas — uma preferencial e outra comum — mas a fila preferencial fosse muito maior que a comum. Mesmo assim, o caixa atende o mesmo número de pessoas em cada fila. Na prática, quem está na fila preferencial demora mais e tem menos chance de ser atendido rapidamente, apesar de ter prioridade.

É isso que ocorre no processo seletivo. Se há poucos candidatos na ampla concorrência e muitos na lista de baixa renda, os estudantes mais vulneráveis passam a disputar menos vagas proporcionalmente, ficando em desvantagem dentro do próprio grupo. 

Para o Sinasefe-SP, o problema central é que a política, que deveria ampliar oportunidades, acaba funcionando como um limite para quem mais precisa e reduzindo a concorrência entre estudantes de alta renda. O Sindicato destaca que modelo mais adequado seria semelhante ao adotado em processos seletivos tradicionais, nos quais candidatos cotistas concorrem simultaneamente na ampla concorrência e nas vagas reservadas, ampliando suas chances de acesso.

Mesmo com as críticas, o Sindicato reforça que o PartiuIF é uma iniciativa fundamental para democratizar o acesso à educação pública. O desafio, segundo a entidade, é garantir que o processo seletivo esteja alinhado com esse objetivo — priorizando, de fato, quem mais precisa.

 

Documentação também é alvo de críticas

Outro ponto criticado é a exigência de documentação. Estudantes que se declaram de baixa renda, mas não conseguem comprovar essa condição, por exemplo, com o CadÚnico, podem perder prioridade e ser deslocados para outra lista, o que dificulta ainda mais o acesso. Segundo um servidor, os candidatos foram divididos entre “renda familiar” e “independente de renda” a partir de uma pergunta simples no formulário, que não deixava claro que, ao optar pela baixa renda, seria obrigatória a apresentação da folha resumo do CadÚnico. 

Na prática, muitos estudantes que se enquadram no critério de renda — até um salário mínimo por pessoa — se inscreveram nessa categoria, mas não possuem o documento exigido. Com isso, candidatos sorteados podem ser desclassificados na etapa documental e enviados para o fim da outra lista, reduzindo ainda mais suas chances. 

Como a seleção é feita por sorteio eletrônico e não há possibilidade de recurso nessa etapa, o modelo reduz a transparência e impede a correção de possíveis distorções.