A ampla maioria dos participantes do Plebiscito Popular promovido pelo Sinasefe-SP defende que o Projeto de Lei do reordenamento do Instituto Federal de São Paulo (IFSP) retorne ao Ministério da Educação para novo debate com a comunidade acadêmica antes de seguir para o Congresso Nacional. Dos 214 participantes da consulta, realizada entre 18 de junho e 7 de julho, 177 pessoas (82,7%) defenderam a retomada das discussões, enquanto apenas 37 (17,3%) consideram que o texto deve seguir sua tramitação na forma atual.
Para o Sinasefe-SP, os resultados reforçam a necessidade de ampliar o diálogo sobre uma decisão que terá impactos administrativos, pedagógicos e políticos para toda a comunidade do IFSP. A consulta foi organizada justamente diante da falta de transparência na elaboração da proposta de reordenamento e da ausência de participação da comunidade acadêmica nas discussões conduzidas até o momento.
O perfil dos participantes demonstra predominância de servidores da instituição. Dos respondentes, 107 (50%) são Técnico-Administrativos em Educação (TAEs), 97 (45,3%) Docentes, seis (2,8%) estudantes e os demais pertencem aos segmentos de aposentados e comunidade externa. Em relação ao acompanhamento das discussões sobre o reordenamento, 74 participantes (34,6%) afirmaram acompanhar o tema de forma intensa, 133 (62,1%) disseram acompanhar parcialmente e apenas sete (3,3%) declararam não estar acompanhando o debate.
Segundo o Sindicato, os resultados do plebiscito servirão como subsídio para fortalecer a defesa de um processo democrático e transparente de discussão sobre o futuro do IFSP, reafirmando que mudanças estruturais na Rede Federal de Educação Profissional, Científica e Tecnológica precisam ser construídas com ampla participação da comunidade acadêmica.

Categoria dividida quanto à divisão
O levantamento também mostra que existe reconhecimento da necessidade de discutir mudanças na estrutura do IFSP, mas não há consenso em torno da proposta atualmente em análise na Casa Civil. Questionados se o Instituto deve passar por um processo de reordenamento, com divisão em mais de uma instituição, 121 participantes (56,5%) responderam que sim, 49 (22,9%) afirmaram concordar apenas em parte e 44 (20,6%) disseram ser contrários.
Já a proposta encaminhada pelo governo, que prevê a criação de mais quatro instituições, totalizando cinco Institutos Federais no estado de São Paulo, encontrou maior resistência. Apenas 56 participantes (26,2%) declararam concordar integralmente com o modelo, enquanto 82 (38,3%) discordam e 76 (35,5%) concordam apenas em parte.
A proposta anteriormente debatida no IFSP, que previa a criação de mais duas instituições, totalizando três Institutos Federais no estado, também não alcançou consenso. Foram 52 respostas favoráveis (24,3%), 78 posicionamentos intermediários (36,4%) e 84 contrários (39,3%).
Quando perguntados sobre o número de novas reitorias considerado mais adequado, 84 participantes (39,3%) defenderam a criação de quatro novas reitorias, 48 (22,4%) manifestaram-se contrários à criação de novas instituições, 37 (17,3%) optaram por duas reitorias, 36 (16,8%) defenderam três e 9 (4,2%) indicaram apenas uma nova reitoria.

Mais vagas e orçamento
Além das perguntas objetivas, o plebiscito também reuniu contribuições qualitativas sobre as condições consideradas indispensáveis para um eventual processo de reordenamento. Entre os temas mais recorrentes aparecem a participação efetiva da comunidade acadêmica em todas as etapas da discussão, garantia de recursos orçamentários para as novas instituições, resolução dos problemas estruturais e de pessoal existentes nos campi, criação de códigos de vagas suficientes e realização de consulta democrática para escolha dos futuros reitores.